07/08/2009 - Transporte público de São Paulo está para se tornar uma "corrida de ratos"

"Se enfileirarmos todos os automóveis e utilitários leves registrados no município de São Paulo teremos uma fila de 18.091,87 quilômetros, se o fizermos com todos os ônibus e micro-ônibus registrados no Brasil a fila teria apenas 7.321,85 quilômetros. Tal análise coloca abaixo qualquer tentativa de defesa da retirada de ônibus das ruas a fim de tentar diminuir congestionamentos. A fila dos carros de uma única cidade seria 2,5 vezes maior do que a fila formada por todos ônibus de um país."

Segundo entrevista concedida à TV Cultura por Alexandre de Moraes, secretário de transportes do município de São Paulo, capital, o pedágio urbano não será possível na gestão do prefeito Kassab (DEM), pois o próprio secretário admite que o transporte coletivo da cidade não pode acomodar tal possibilidade. Segundo as palavras dele: "Nós estaríamos fazendo algo que seria, tranquilamente, colocado como injustiça social".
Mas verificando algumas reportagens publicadas em jornais importantes, como a Folha de São Paulo (10/02/2009), que mostra claramente que a idéia original do prefeito Kassab e de seu padrinho político, o governador José Serra, era justamente implementar o pedágio urbano. E somente teriam "desistido" da idéia por força da oposição e da opinião pública que em sua esmagadora maioria anda de carro e principalmente, vota!
Somente a capital paulistana, segundo o DENATRAN*, possui 4.348.247 automóveis, 319.571 caminhonetes e 252.464 caminhonetas, que para fins de cálculo reduzimos para 4.920.282 Ford Ka, cujo comprimento unitário é de 3,677 metros. Se enfileirados, esses carros e se fossem apenas Ford Ka, formariam uma fila de aproximadamente 18.091,87 km. Mas logicamente sabemos que os Ford Ka estão entre os menores modelos desta amostra, o que leva essa quilometragem a números bem mais altos do que esses 18 mil e poucos quilômetros de fila.
Por outro lado, segundo o próprio DENATRAN, a frota de ônibus do Brasil tem hoje 409.692 unidades, o que numa média de 13,2 metros de comprimento por veículo totalizaria uma fila de 5407,94 km. O detalhe é que nessa frota constam todos os ônibus de um país, sendo que a grande maioria deles jamais colocará seus pneus dentro do município de São Paulo. Também é oportuno lembrar que nessa conta também aparecem todos os veículos do transporte convencional da capital e de todas as cidades do país, bem como de empresas de transporte rodoviário de passageiros; ou seja veiculos que na verdade não praticam a modalidade de fretamento.
Nem mesmo adicionando os 239.239 micro-ônibus registrados no país (que numa média de 8 metros por veículo dariam uma fila de 1913,91 km), o tamanho da fila de ônibus chegaria ao tamanho da fila formada pelos automóveis. Oras, somando os ônibus aos micro-ônibus teriamos 7.321, 85 km em todo o Brasil contra 18.091,87 km dos carros registrados no município de São Paulo. Isto coloca abaixo qualquer argumento que diga algo a favor de tirar ônibus das ruas para diminuir congestionamentos.
Oras, que interesse o sistema de transporte imposto pela prefeitura teria em dar melhorias para aumentar o conforto, como colocar mais veículos e diminuir os ganhos, se a concorrência foi extremamente restringida?

Silvio Alexandre Porto
silvio@euqueroumonibus.com.br

*Dados do DENATRAN referênte à frota no mês de maio de 2009.

fonte: Folha de São Paulo (10/02/2009)
DENATRAN
G1/TV Cultura

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Dicionário

  • "Bexiga" - câmaras de ar da suspensão a ar, também chamados de "bolsões"
  • "Busscar sapão" - apelido dos Elbuss da Busscar devido ao design da sua frente.
  • "Cabritinha" - Apelido do Monobloco O-362 da Mercedes-Benz
  • "Carneirinho" - apelido dado pelos "muambeiros" aos ônibus que faziam viagens bate e volta para o Paraguai. Em geral eram CMAs ou Dinossauros brancos.
  • "Chifrudos" - Denominação para os ônibus equipados com retrovisores modernos, em formato de chifres.
  • "Double Decker" - ônibus de dois andares.
  • "Latão" - ônibus.
  • "Low Driver" - Ônibus que tem o posto do motorista rebaixado a fim de posicionar as primeiras poltronas do veiculo em um assoalho construído logo acima da cabine do motorista, criando uma visão panorâmica para esses passageiros.
  • "Maçarico" - denominação comum para ônibus com motor aspirado, sem turbina.
  • "Maçarico" - Motor aspirado, não turbinado
  • "Melância" - Referência aos ônibus MB O-370 e O-371 monoblocos. O apelido surgiu devido ao formato de sua carroceria.
  • "Mulão" - Apelido do Monobloco O-355 da Mercedes-Benz
  • "Pinga-pinga" - ônibus que faz diversas paradas, inclusive fora de rodoviárias e não programadas, ao longo do seu itinerário.
  • "Queixo duro" - ônibus sem direção hidráulica.
  • "Vista" - itinerário.
  • Ar condicionado de bagageiro -
  • Ar condicionado de teto -
  • Bagageiros - local destinado a guardar malas e volumes médios e grandes pertencentes aos viajantes em ônibus rodoviários.
  • Bancada - Conjunto de poltronas, bancos de um ônibus.
  • Banco da puta -> banco da guia.
  • Banco do tonto -> poltrona que fica na última fileira, no meio do corredor. Sem banco à sua frente para se segurar, o tonto corre o risco de voar em caso de freada brusca.
  • Barriga de vidro -> ônibus de dois andares (double decker).
  • Bonecos -> passageiros.
  • Cabeceira - Espécie de fronha geralmente feita de lycra. Essa é utilizada para evitar o contato entre as cabeças dos passageiros e o tecido das poltronas o que assegura a higiene já que as cabeceiras podem ser facilmente retiradas para lavagem. Além disto a empresa pode ter jogos estras de cabeceiras para substituição enquanto as outras são lavadas.
  • Cabeça de fogo - ônibus com motor dianteiro.
  • Cabrito - Veiculo adulterado ou clonado.
  • Cabrito - ônibus remarcado ou reconstruido utilizando peças de dois ou mais veiculos.
  • Calefação - aquecedor
  • Chassis -> É uma estrutura de suporte onde a mecânica e a carroceria são montadas. Esse tipo de construção se contrapõe ao monocoque e ainda hoje é muito comum principalmente em ônibus com motor dianteiro.
  • Clandestino - segundo Michaelis: "clan.des.ti.no adj (lat clandestinu) 1 Dir Que não apresenta as condições de publicidade prescritas na lei. 2 Feito às escondidas. sm Passageiro que viaja escondido".
  • Clone - Veiculo adulterado com as caracteristicas e documentos de um outro veiculo devidamente legalizado.
  • Eixos em tandem -
  • Encarroçado - Veículo montado em duas fases por duas empresas diferentes. Primeiramente é construido um chassis ou plataforma, de acordo com as especificações do cliente, e depois este enviado para o outro fabricante independente do primeiro para que seja construída a carroceria.
  • Escotilhas de ventilação -
  • Itinerário - Visor mecânico ou eletronico aonde são apresentadas informações sobre a origem e o destino do ônibus. Em alguns lugares este equipamento também é conhecido como "vista".
  • Joaninhas - Referência aos ônibus com retrovisores modernos com carcaça de plástico.
  • Maneco -> Manete do freio de mão.
  • Monobloco (quando usado como termo técnico é sinônimo de monocoque) - No contexto de ônibus, a expressão monobloco caracteriza veículos que tiveram tanto a carroceria quanto o chassis produzidos pelo mesmo fabricante, ou seja, montados em uma unica fase.
  • Monocoque - É uma técnica de construção onde a própria estrutura da carroceria suporta toda, ou a maior parte do peso, ao contrário da construção utilizando chassis. O precursor dessa técnica no Brasil foi o Ciferal Dinossauro.
  • Mão amiga - A "mão amiga" é a designação popular para a conexão do circuito de ar dos freios e suspensão a reboque ou semi-reboque (pode ser encontrado nos veiculos combinados como Romeu & Julieta). Certa atenção extra deve ser dada a esse equipamento devido a marginais desconectarem essas mangueiras em paradas (como postos de combustíveis e restaurantes) a fim do veículo rodar apenas mais alguns quilômetros antes de ficar imobilizado em um local ermo, assim que acabar o ar do sistema, facilitando a sua abordagem pelos criminosos.
  • Nielson sete quedas -> Modelo de carroceria de ônibus fabricado pela Nielson na década de 70 e início da de 80 que tinha como caracteristica ter 4 "quedas" (desniveis) na parte da frente do teto e mais 3 na parte de trás.
  • Peso bruto total -
  • Peso por eixo -
  • Porta pacotes - prateleira instalada sobre as poltronas do salão de passageiros a fim de guardar as bagagens de mão dos passageiros.
  • Portas/tampas de bagageiro pantográficas -
  • Reencarroçado - Veículo que rodou por grande parte de sua vida útil com uma carroceria e em determinado momento teve esta trocada por outra mais nova. Entre os principais motivos para esta troca estão o desgaste da carroceria antiga, defasagem tecnológica e destruição da carroceria original em um acidente de trânsito.
  • Romeu & Julieta - Veículo para transporte de passageiros que combina um ônibus convencional adicionado de um reboque também encarroçado como ônibus. Esta é uma solução antiga que tentava ajustar o tamanho do ônibus à demandas variáveis em certas linhas.
  • Salão de passageiros -
  • Toco -> ônibus dotado de apenas dois eixos.
  • Trucado -> ônibus dotado de três ou mais eixos.
  • Vidros Colados -
  • Vidros fixos -
  • Ônibus (em Portugal auto-carro) - Do latin omnibus (tradução: "para todos") é um veículo cuja principal função é o transporte de grande quantidade de passageiros por via terrestre com rodagem sobre pneus.