02/08/2009 - Minhas palavras sobre as atitudes da prefeitura

Do editor: "O prefeito espera tirar 1300 ônibus das ruas, se forem 50.000 passageiros "sem ônibus" serão 12.500 "Ford Ka" a mais nas ruas da capital totalizando 75.000 metros quadrados de área ocupada contra 44.616 ocupada atualmente pelos ônibus. Esses automóveis enfileirados formariam uma fileira de 46km, enquanto os ônibus, colocados da mesma forma, teriam uma formação de apenas 17km de comprimento."

Na última semana a Prefeitura de São Paulo colocou em vigor, através de uma portaria medidas extremamente restritivas à transporte por ônibus fretados.

As pessoas "contentes" com tal medida, que são muito poucas pelo que se vê por ai nos fóruns afora ou mesmo na rua, geralmente trafegam com seus veículos particulares (na maioria das vezes com apenas uma pessoa no carro) e defendem junto com o prefeito que se coloque todo restante da população em verdadeiras latas de sardinha; mas de forma alguma esse pessoal é a maioria, muito pelo contrário, e espero o começo das aulas para sentar no chão e dar risada, pois teremos 6,8 milhões de pessoas que não conseguirão chegar a lugar algum.

Desses que defendem, geralmente ouço aberrações do tipo "o ônibus rodoviário é muito grande para andar na rua". O ônibus rodoviário médio tem 13,2m enquanto vários urbanos Scania (como alguns que tem na Santa Brigida) são de 15 metros, fora articulados que são na faixa dos 18 metros e bi-articulados de mais de 25 metros!

No mais, é incomparável o espaço gasto por carros em relação aos ônibus, mas faremos a comparação pois não sou de falar e não provar! Digamos que num mundo perfeito é feito o transporte solidário e todo mundo tem carros compactos (padronizemos Ford Ka para efeitos de cálculo). Um ônibus de 14 metros, comprido que geralmente não é utilizado para fretamento, ocupa 36 metros quadrados de rua enquanto um Ford Ha ocupa 6 metros quadrados. Mas um ônibus desses leva até 50 pessoas confortavelmente (te dou a vantagem de baixar para 46 pra cálculo) enquanto o Ford ka está homologado para 4 passageiros.

Se dividirmos a área ocupada pelo ônibus pela do Ford Ka teremos 36/6 = 6, logo temos 4 * 6 = 24 passageiros transportados em Kas que ocupam 36 metros quadrados.

Mas à partir dai existem outros problemas relacionados às formas geométricas e à própria dinâmica do trânsito, ou seja, os carros estarão espaçados na rua, divididos em faixas que tem cerca de 3 metros de largura (que foram feitas justamente para caber ônibus e caminhões de 2,6m de largura).

No mais, entre outras aberrações, ouví uma dona defender o fim dos fretados devido a eventualmente ter um ônibus estacionado na frente da casa dela. Pois bem, agora imagine os 6 Kas na rua, sendo que na vaga aonde cabia confortavelmente o ônibus cabem 3,8 Kas (menos de quatro)? Isso porque para transportar as 46 pessoas seriam necessários 11,5 Ford Ka que ocupam 69 metros quadrados, ou seja, quase duas vezes mais espaço - caso um Ka fosse “soldado” no outro e não tivesse leis de trânsito falando sobre permanecer na faixa de rodagem, não estacionar em fila dupla e muito menos “manter a distância”, atitudes no meu ver saudáveis para o transito seguro.

No mais, isto que está sendo feito é um retrocesso. Na verdade o modelo de fretamento de ônibus é uma modalidade de transporte coletivo que deveria ser copiada pelo mundo afora, afinal, só roda quando precisa e roda lotado.

Outro ponto, no meu ponto de vista imperdoável, é com relação a saúde pública. Criando mais aglomerações do que de costume e ainda expondo pessoas que rodavam em grupos fechados a uma infinidade de combinações com o H1N1 a solta é no mínimo uma falta de humanidade.

Para terminar, pois já me alonguei demais, tenho a mesma curiosidade da procuradora do ministério público. Faço votos que ela faça um trabalho exemplar, pois, para um economista não levar em conta coisas tão elementares, é no mínimo digno de investigação. Afinal, haverá considerável diminuição do poder de barganha do consumidor de transporte pela diminuição da concorrência, que é muito saudável.

obs: Quanto a achar que essas pessoas vão migrar para o transporte público urbano, da forma que tem sido feito, não me faça rir.

Um grande abraço a todos que chegaram ao fim desse modesto raciocínio.

Silvio Alexandre Porto
silvio@euqueroumonibus.com.br

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Dicionário

  • "Bexiga" - câmaras de ar da suspensão a ar, também chamados de "bolsões"
  • "Busscar sapão" - apelido dos Elbuss da Busscar devido ao design da sua frente.
  • "Cabritinha" - Apelido do Monobloco O-362 da Mercedes-Benz
  • "Carneirinho" - apelido dado pelos "muambeiros" aos ônibus que faziam viagens bate e volta para o Paraguai. Em geral eram CMAs ou Dinossauros brancos.
  • "Chifrudos" - Denominação para os ônibus equipados com retrovisores modernos, em formato de chifres.
  • "Double Decker" - ônibus de dois andares.
  • "Latão" - ônibus.
  • "Low Driver" - Ônibus que tem o posto do motorista rebaixado a fim de posicionar as primeiras poltronas do veiculo em um assoalho construído logo acima da cabine do motorista, criando uma visão panorâmica para esses passageiros.
  • "Maçarico" - denominação comum para ônibus com motor aspirado, sem turbina.
  • "Maçarico" - Motor aspirado, não turbinado
  • "Melância" - Referência aos ônibus MB O-370 e O-371 monoblocos. O apelido surgiu devido ao formato de sua carroceria.
  • "Mulão" - Apelido do Monobloco O-355 da Mercedes-Benz
  • "Pinga-pinga" - ônibus que faz diversas paradas, inclusive fora de rodoviárias e não programadas, ao longo do seu itinerário.
  • "Queixo duro" - ônibus sem direção hidráulica.
  • "Vista" - itinerário.
  • Ar condicionado de bagageiro -
  • Ar condicionado de teto -
  • Bagageiros - local destinado a guardar malas e volumes médios e grandes pertencentes aos viajantes em ônibus rodoviários.
  • Bancada - Conjunto de poltronas, bancos de um ônibus.
  • Banco da puta -> banco da guia.
  • Banco do tonto -> poltrona que fica na última fileira, no meio do corredor. Sem banco à sua frente para se segurar, o tonto corre o risco de voar em caso de freada brusca.
  • Barriga de vidro -> ônibus de dois andares (double decker).
  • Bonecos -> passageiros.
  • Cabeceira - Espécie de fronha geralmente feita de lycra. Essa é utilizada para evitar o contato entre as cabeças dos passageiros e o tecido das poltronas o que assegura a higiene já que as cabeceiras podem ser facilmente retiradas para lavagem. Além disto a empresa pode ter jogos estras de cabeceiras para substituição enquanto as outras são lavadas.
  • Cabeça de fogo - ônibus com motor dianteiro.
  • Cabrito - Veiculo adulterado ou clonado.
  • Cabrito - ônibus remarcado ou reconstruido utilizando peças de dois ou mais veiculos.
  • Calefação - aquecedor
  • Chassis -> É uma estrutura de suporte onde a mecânica e a carroceria são montadas. Esse tipo de construção se contrapõe ao monocoque e ainda hoje é muito comum principalmente em ônibus com motor dianteiro.
  • Clandestino - segundo Michaelis: "clan.des.ti.no adj (lat clandestinu) 1 Dir Que não apresenta as condições de publicidade prescritas na lei. 2 Feito às escondidas. sm Passageiro que viaja escondido".
  • Clone - Veiculo adulterado com as caracteristicas e documentos de um outro veiculo devidamente legalizado.
  • Eixos em tandem -
  • Encarroçado - Veículo montado em duas fases por duas empresas diferentes. Primeiramente é construido um chassis ou plataforma, de acordo com as especificações do cliente, e depois este enviado para o outro fabricante independente do primeiro para que seja construída a carroceria.
  • Escotilhas de ventilação -
  • Itinerário - Visor mecânico ou eletronico aonde são apresentadas informações sobre a origem e o destino do ônibus. Em alguns lugares este equipamento também é conhecido como "vista".
  • Joaninhas - Referência aos ônibus com retrovisores modernos com carcaça de plástico.
  • Maneco -> Manete do freio de mão.
  • Monobloco (quando usado como termo técnico é sinônimo de monocoque) - No contexto de ônibus, a expressão monobloco caracteriza veículos que tiveram tanto a carroceria quanto o chassis produzidos pelo mesmo fabricante, ou seja, montados em uma unica fase.
  • Monocoque - É uma técnica de construção onde a própria estrutura da carroceria suporta toda, ou a maior parte do peso, ao contrário da construção utilizando chassis. O precursor dessa técnica no Brasil foi o Ciferal Dinossauro.
  • Mão amiga - A "mão amiga" é a designação popular para a conexão do circuito de ar dos freios e suspensão a reboque ou semi-reboque (pode ser encontrado nos veiculos combinados como Romeu & Julieta). Certa atenção extra deve ser dada a esse equipamento devido a marginais desconectarem essas mangueiras em paradas (como postos de combustíveis e restaurantes) a fim do veículo rodar apenas mais alguns quilômetros antes de ficar imobilizado em um local ermo, assim que acabar o ar do sistema, facilitando a sua abordagem pelos criminosos.
  • Nielson sete quedas -> Modelo de carroceria de ônibus fabricado pela Nielson na década de 70 e início da de 80 que tinha como caracteristica ter 4 "quedas" (desniveis) na parte da frente do teto e mais 3 na parte de trás.
  • Peso bruto total -
  • Peso por eixo -
  • Porta pacotes - prateleira instalada sobre as poltronas do salão de passageiros a fim de guardar as bagagens de mão dos passageiros.
  • Portas/tampas de bagageiro pantográficas -
  • Reencarroçado - Veículo que rodou por grande parte de sua vida útil com uma carroceria e em determinado momento teve esta trocada por outra mais nova. Entre os principais motivos para esta troca estão o desgaste da carroceria antiga, defasagem tecnológica e destruição da carroceria original em um acidente de trânsito.
  • Romeu & Julieta - Veículo para transporte de passageiros que combina um ônibus convencional adicionado de um reboque também encarroçado como ônibus. Esta é uma solução antiga que tentava ajustar o tamanho do ônibus à demandas variáveis em certas linhas.
  • Salão de passageiros -
  • Toco -> ônibus dotado de apenas dois eixos.
  • Trucado -> ônibus dotado de três ou mais eixos.
  • Vidros Colados -
  • Vidros fixos -
  • Ônibus (em Portugal auto-carro) - Do latin omnibus (tradução: "para todos") é um veículo cuja principal função é o transporte de grande quantidade de passageiros por via terrestre com rodagem sobre pneus.